Caso de Obra | Recalque diferencial com aceleração positiva

Este foi um caso emergencial e perigoso referente a um edifício com 15 andares, vizinho a uma obra com cinco subsolos para garagens e serviços, no bairro do Sumaré em São Paulo. Nesta obra, projetou-se e executou-se uma parede diafragma com 50 cm de espessura, profundidade de 25 m e inúmeros tirantes ativos de 60 t cada. O edifício anexo (15 andares) construído na década de 1970 tinha fundações com tubulões a céu aberto e profundidade de apoio de aproximadamente 5 m. Os problemas surgiram com as escavações terminadas de forma abrupta.

Aparentemente alguns tirantes se romperam provocando rápidas deformações. Realmente foi um caso grave e raro, pois os recalques diferenciais apresentavam aceleração positiva, ou seja, o edifício provavelmente entraria em colapso total caso não fosse tomada alguma medida cautelar. Os diversos responsáveis optaram, de forma emergencial, por um projeto de execução de reforço de fundação com estacas MM de 6’’, carga de cravação de 90 t, iniciadas na lateral do edifício antigo.

Enquanto estava em andamento a desocupação do edifício, a empresa contratada foi chamada às 12h de uma quarta-feira. Às 23h do mesmo dia já haviam sido cravadas quatro MM de 60 t, admissível e na quinta-feira outras seis MM, quando a topografia indicou o início de uma estabilização e foi possível suspender a interdição. Posteriormente, por segurança, as MM se transformaram em MMI. Efetuou-se o reforço de fundação das paredes diafragma com uso de consolos estruturais, pois eles estavam recalcados.

Os responsáveis solicitaram sigilo, razão pela qual não é possível apresentar fotos e gráficos, porém foi uma obra muito divulgada informalmente nos meios geotécnicos de São Paulo, visto que comprovou a utilidade e a necessidade de MMI para obras similares. É importante ressaltar que qualquer solução que envolvesse concretagem ou injeção necessitaria de dias para a cura, inviabilizando a obra.


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