Abismo VII – Solo grampeado método de cálculo yen* muro de arrimo

Abril de 2011  |  Autor: Armando de Oliveira e João Armando Lopes de Oliveira

1Resumo:
Os autores são pioneiros na execução de muros de arrimo pelo sistema solo-grampeado (1983) e ao longo destes anos efetuaram inúmeras experiências na área de campo, tais como uso de bulbo alargado mecanicamente e injeção com cimento expansivo.
Apesar de não trabalharem como consultores ou projetistas, desenvolveram método de cálculo de estabilidade de muro de arrimo baseados nas suas interpretações físicas do sistema.
Observam que são raríssimos os casos de ruptura de muro de arrimo solo-grampeado, o que dificulta a confirmação das teorias existentes. O presente método é, na gênese, empírico e baseia-se num ajuste do ESTAVEL (programa de Estabilidade de Talude) de W. Hachich.
A visão empírica dos autores diverge, no caso, da visão acadêmica sobre a questão. A esta divergência, símbolo da dificuldade de comunicação entre colegas, dão o nome de “Abismo” utilizado por Mello no Primeiro SEFE para questão filosófica similar.

2A filosofia do abismo
Os Autores atuam desde 1983 como executores de solo grampeado, técnica esta utilizada para estabilização de taludes e muros de arrimo. Com o objetivo de repassar suas experiências à coletividade Geotécnica, apresentam método empírico para calculo de estabilidade de muro de arrimo baseados em suas interpretações físicas do sistema.
O método de calculo dos Autores diverge dos usualmente utilizados por projetistas e consultores pelos conceitos e simplificações adotadas. Acreditam que esta divergência se deve ao distanciamento, algumas vezes existente, entre executores e projetistas. A esta dificuldade na comunicação entre colegas que atuam na mesma obra dão o nome de “abismo”, símbolo anteriormente utilizado por Mello¹ no Primeiro SEFE para questão filosófica semelhante.
Entendem que o problema do “abismo”, enfatizando, símbolo da dificuldade de comunicação entre colegas atuando na mesma área ou obra, abrange não somente a Geotecnia, mas a Engenharia e outras áreas do conhecimento. No caso específico da Engenharia concluem que o “abismo” é a causa maior de acidentes ocorridos nos últimos anos.
O trabalho que apresentam adiante é um pequeno exemplo da questão filosófica e conceitual acima citada. Sua essência está na forma de conjugação e exercício dos conhecimentos teóricos e suas conseqüências práticas e/ou na inversão deste procedimento.
3Conceitos teóricos
Teoria é a explicação para algo comprovado na prática².
Camargo & Hachich (2003)³ analisaram comparativamente oito métodos de cálculo para solo grampeado, destacando-se o próprio ESTÁVEL4 com método ENPC e o SLIDE incorporando os esforços nos grampos. Ambos são dos mais utilizados atualmente pela nossa classe geotécnica.
Entretanto, nos únicos (três) casos conhecidos de ruptura de muro de arrimo solo-grampeado, a água (dilúvio!) penetrou e percolou entre o solo e o paramento, levando a pressões essencialmente hidráulicas. Ou seja, ressaltando nossas limitações, não temos conhecimento pessoal, até o momento, de uma ruptura digamos “clássica” de solo grampeado. Em contra partida são conhecidos dezenas, centenas de rupturas de outros tipos de muro de arrimo e milhares de rupturas de talude.
A interpretação deste fato, de extrema importância, sob a ótica filosófica do Abismo, é de que ainda não temos uma teoria comprovada sobre solo grampeado: possivelmente suposições somente. E isto vale para todos os métodos de cálculo em execução ou estudos; inclusive o adiante descrito.
Projetistas de renome internacional tal como o Professor Luciano Decourt 5, entendem que solo grampeado tende a trabalhar como solo armado e homogêneo, e calculam seus fatores de segurança (FS) como um muro de arrimo de gravidade utilizando os tradicionais e conhecidos métodos.
Observamos que estes projetos (Decourt)5 assim como os que usam outros conceitos, obtiveram até agora total êxito. Este fato pode indicar serem os cálculos conservadores.
Como já publicamos (SEFE V – Pág. 261 – Volume I)6 solo grampeado contendo mais de dois grampos por m² (provavelmente um grampo por m² como preconizava o Professor Costa Nunes décadas atrás) é sem dúvida um solo armado. Quando tivermos 1 grampo para mais de 4 m² estaremos entrando na zona dos tirantes ( frequentemente 1 tirante/ 6m² ). Ou seja, a abrangência do solo grampeado estaria limitada à densidade de um grampo cada 0,5 m² a um grampo/4m².

4Metodo de cálculo | YEN | Solo Grampeado
4.1 Este método de calculo tem como objetivo proporcionar um fator de segurança igual ou superior a 1,5, referido a uma “estabilidade” sem grampeamento igual a 1 para qualquer solo grampeado.

4.2. Assim, preliminarmente é calculado o coeficiente de segurança do maciço de terra, sem o grampeamento. Este calculo e feito pelo método ESTAVEL 4, baseado na geometria final do muro de arrimo e nos parâmetros geotécnicos tais como densidade, ângulo de atrito e coesão do solo. Este método de calculo de talude, ESTAVEL 4, assim como a forma de se definir os parâmetros geotécnicos (laboratório, ensaios de campo, sondagens) são bastante conhecidos e assimilados pelo presente trabalho.

5Método Yen – Considerações Preliminares.
5.1 O método Yen calculará a quantidade e profundidade de grampos geotécnicos, (“soil nailing”)10 que implantados num talude, proporcionarão ao mesmo uma estabilidade com
coeficiente de segurança (F.S) igual a 1,5. Secundariamento, define o diâmetro do furo,
diâmetro da barra de aço, espessura do paramento de concreto projetado e outros
pormenores executivos.

5.2 A premissa básica do método Yen é que a introdução dos grampos no maciço altera
um único parâmetro do solo, no caso a coesão. Ainda, os grampos estarão solidários
ao maciço de solo, não atuando isoladamente mas sim em conjunto com o mesmo.
5.3 Como em praticamente todos os métodos de calculo de muros de arrimo, o Yen calcula
no estado limite último, ou seja, na ruptura do maciço. Nestes métodos a força resistente principal atuante é o cisalhamento do solo.
5.4 Como em praticamente todos os métodos de calculo de muro de arrimo tipo solo-grampeado, o Yen adota como parâmetro básico a resistência à tração de cada grampo instalado no maciço. Esta resistência à tração é preliminarmente calculada e posteriormente confirmada em ensaios de campo.

6 Método Yen – Conceitos
O método Yen baseia-se na interpretação reológica8 e empírica de que:
• os grampos promovem unicamente um aumento na coesão do maciço de terra.
• o acréscimo da coesão é diretamente proporcional a densidade dos grampos e à sua
resistência à tração. A este acréscimo chamamos de “coesão equivalente”.
• o aumento de coesão é diretamente proporcional ao aumento da resistência ao
cisalhamento, no maciço, e conseqüentemente ao aumento do F.S. (fator de segurança).

Assim, o método Yen determina que a tensão de tração de um grampo, em qualquer ponto do mesmo, será matematicamente equivalente à nova tensão coesiva do solo, na área de influencia do grampo, naquele ponto.
Esta equivalência “física” do fenômeno, feita para proporcionar um calculo simplificado, é a base teórica do método Yen e encontra-se melhor esclarecida adiante.

7 Dados usuais de aplicação.
Como parâmetros geométricos preliminares temos:
Comprimento do grampo ≈ 0,8 H sendo H a altura do muro de arrimo.9
Densidade do grampo ≈ 1 grampo/ 1,44 m² de muro.
Diâmetro do grampo = 10 cm.
Armadura do grampo ≥ Ø 20mm CA-50.

Como parâmetro geotécnico inicial temos para o cálculo de adesão solo/grampo:
Conforme Decourt/Quaresma5 somente para o atrito lateral:
Al/m² = (SPT/3 + 1) x (Π . D) sendo:
Al = adesão lateral do grampo em ton./m².
SPT = SPT médio ao longo do grampo. Adimensional.
D = diâmetro do grampo; no caso 10 cm.

Executivamente, entendemos que a aderência adequada, técnica e economicamente, de um grampo somente é atingido com dupla injeção. A primeira injeção de nata de cimento é simples e serve para “preencher a bainha”, numa analogia aos tirantes. A segunda injeção, é feita com bombas que podem aplicar pressões de até 20 kgf/cm² e têm por finalidade preencher todos os vazios e provocar um enraizamento do grampo.

9 Calculo da nova coesão ou aumento da “coesão equivalente” do maciço.
A estimativa da capacidade de carga à tração de cada grampo é determinada pelo comprimento e adesão como já citado.

Lembramos que este numero será verificado e corrigido com ensaios de tração no grampo, que são praticamente obrigatórios neste tipo de obra.
Simplificando o processo, com pouca perda de precisão, estimamos a carga total do grampo, dividimos pelo seu comprimento e chegamos a uma capacidade de carga de tração unitária. A capacidade, em cada região, será proporcional à sua localização em relação ao comprimento.

A resistência à tração será máxima junto ao paramento e zero na ponta, sendo a estimativa em determinado ponto central, proporcional ao ponto geométrico.
Ou seja, o aumento da “coesão equivalente” do solo junto ao paramento é determinado pela carga máxima da tração do grampo;

O aumento da “coesão equivalente” na ponta do grampo é nula.
O aumento da “coesão equivalente” em qualquer ponto do grampo é proporcional à distância deste ponto ao paramento (ou à ponta).

Por fim, o aumento da “coesão equivalente” será corrigido pela densidade do grampo adotada inicialmente.

Caso tenhamos optado por um grampo cada 1,44 m², como tentativa inicial, teremos que o aumento da “coesão equivalente” é igual ao aumento da “coesão equivalente unitária” dividida por 1,44 m².

10 Determinação dos parâmetros do solo-grampeado.
Os parâmetros γ e φ determinados anteriormente, não mudam.

A região do maciço onde será instalado o solo-grampeado terá sua coesão incrementada pela “coesão equivalente” proporcionada pelo grampeamento.

Na pratica costumamos dividir o comprimento do grampo em quatro partes, ou seja, quatro seções do maciço cuja coesão será aumentada de forma proporcional a “coesão equivalente” media da respectiva seção. Quando preparamos o ESTAVEL4 para calculo do FS, a(s) seção(ões) próximas ao paramento (com dimensão equivalente a ¼ do conjunto do grampo) terá sua coesão média aumentada em aproximadamente.

7/8 da “coesão equivalente” máxima (máxima tração dividida pela área de influencia do grampo), a seção seguinte (também com ¼ do comprimento do grampo) um incremento de 5/8 da “coesão” máxima, a terceira com 3/8 de incremento , e por ultimo, a seção próxima a ponta com incremento médio de 1/8 de “coesão equivalente” máxima.
Os demais paramentos geotécnicos, tais como γ e φ, assim a coesão (c) de regiões sem grampos, não sofrerão mudanças.

O cálculo do acréscimo da “coesão equivalente” é mais precisa, matematicamente e fisicamente, do que a determinação ou estimativa dos demais parâmetros geotécnicos (γ – c – φ).

O binômio FS / parâmetros geotécnicos do solo é de extrema importância para a verificação e ajuste “in loco”, durante o desenrolar da obra propriamente dita, das premissas do projeto. Dependendo dos resultados em campo é obrigatória a execução de novos cálculos.
11EXEMPLO TÍPICO
Solo grampeado – Metodo de cálculo – YEN

Parâmetros Geométricos
Grampos com Ø 10 cm – armadura Ø 1”
Grampos com 0,8 H, portanto grampos com 8 ml cada.

Parâmetros Geotécnicos Solo A γ = 1,6 ton/m³ φ = 20º c = 1 ton/m²

Parâmetros Geotécnicos Solo B γ = 1,7 ton/m³ φ = 25º c = 2 ton/m²

Processando o método ESTAVEL para os dados acima referidos encontramos como coeficiente ou Fator de Segurança (FS) o valor de 0,84, ou seja, instável.

12 Método Yen para solo grampeado
Adotando grampos Ø 10 cm e densidade igual a 1,44, ou seja, um grampo a cada 1,20 ml, vertical e horizontal.

Adesão do solo A = (4 x 3 + 5)/ 5 = * 17/ 5 = 3,3 * SPT < 3 = 3 5
3,3/ 3 + 1 = 2,1 ton/m² x 0,31 m²/ml (Π x D) = 0,65 ton/ml

Tração máxima prevista para grampo solo A = 0,65 ton/ml x 8 ml = 5,4 ton

Adesão do solo B = (7 + 6 + 6 + 7 + 7)/ 5 = 33/ 5 = 6,6
6,6/ 3 + 1 = 3,1 ton/m² x 0,31 m²/ml (Π x D) = 0,96 ton/ml

Tração máxima prevista para grampo solo B = 0,96 ton/ml x 8 ml = 7,7 ton

Coesão equivalente solo C     –    5,4 x 1/8 ÷ 1,44 ≈ 0,47 ton/m² → 0,5 ton/m²
Coesão equivalente solo D     –    5,4 x 3/8 ÷ 1,44 ≈ 1,41 ton/m² → 1,4 ton/m²
Coesão equivalente solo E     –    5,4 x 5/8 ÷ 1,44 ≈ 2,34 ton/m² → 2,3 ton/m²
Coesão equivalente solo F     –    5,4 x 7/8 ÷ 1,44 ≈ 3,28 ton/m² → 3,3 ton/m²
Coesão equivalente solo G    –    7,7 x 1/8 ÷ 1,44 ≈ 0,67 ton/m² → 0,7 ton/m²
Coesão equivalente solo H    –    7,7 x 3/8 ÷ 1,44 ≈ 2,01 ton/m² → 2,0 ton/m²
Coesão equivalente solo I    –    7,7 x 5/8 ÷ 1,44 ≈ 3,34 ton/m² → 3,3 ton/m²
Coesão equivalente solo J    –    7,7 x 7/8 ÷ 1,44 ≈ 4,68 ton/m² → 4,7 ton/m²

SOLO    A    B    C    D    E    F    G    H    I    J
γ    1,6    1,7    1,6    1,6    1,6    1,6    1,7    1,7    1,7    1,7
φ    20    25    20    20    20    20    25    25    25    25
c    1    2    1    1    1    1    2    2    2    2
ce    1    2    0,5    1,4    2,3    3,3    0,7    2    3,3    4,7
c + ce    1    2    1,5    2,4    3,3    4,3    2,7    4    5,3    6,7

Processando o ESTAVEL4 com os dados acima encontramos como fator de segurança (FS) do muro de arrimo executado pelo sistema solo-grampeado o valor de 1,44.

Resumo:
Talude sem grampo = FS = 0,84
Talude com solo grampeado = FS = 1,44

Existem inúmeros projetistas e consultores que entendem ser este um número aceitável.
Acreditamos, entretanto, que é conveniente calcularmos outros fatores de segurança baseadas unicamente na densidade dos grampos.
Aumentando a densidade dos grampos em 5%, nos grampos inferiores, resulta num FS = 1,47.
Aumentando a densidade dos grampos em 10%, nos grampos inferiores, resulta num FS = 1,51.
Esta informação deve ser colocada no projeto à disposição da obra e do cliente.
Ou seja, na hipótese do responsável pela obra entender que o FS = 1,44 é suficiente deverá manter o espaçamento entre grampos em 1,20 vertical e 1,20 horizontal.
Caso entenda ser necessário um FS ≥ 1,5 manterá os grampos superiores com 1,20 x 1,20 e os grampos inferiores com espaçamento vertical de 1,00 m e horizontal de 1,20 metro.
O paramento deve ser calculado e executado de forma a poder absorver e redistribuir todas as tensões de tração provenientes dos grampos. Entendemos que esta hipótese é não somente válida mas obrigatória para cálculos no estado limite de ruptura.
Durante o transcorrer da obra é necessário e/ou conveniente a execução de ensaios de arrancamento e a execução de novos cálculos pelo método Yen, adotando os dados obtidos em campo.
A grande maioria dos ensaios de tração efetuadas em campo não apresenta ruptura da barra de aço. Assim, como hipótese de projeto podemos supor que haverá uma ruptura geotécnica do grampo, não uma ruptura estrutural. Lembramos que nunca utilizamos barras de aço com Ø inferiores a 20 mm.

Dependendo do resultado destes ensaios e cálculos verificatórios, pode ser necessário ou conveniente um ajuste de projeto.
• A grande dispersão existente na definição dos parâmetros do solo (c e φ) causado,
entre outros, pela dificuldade de se executar ensaios geotécnicos, é coerente com as
simplificações adotadas.
13Justificativa para o Metodo YEN
Lembrando:
• Praticamente todos os métodos de cálculo para estabilidade de taludes ou de muros de arrimo adotam o critério de estado limite, ou seja, cálculo de coeficiente de segurança do sistema a partir da ruptura do maciço e obras de arte.
• Ao se introduzir grampos no solo, o mesmo é reforçado e assume outra
condição de equilíbrio.
• O plano de ruptura do talude sem grampo é obrigatoriamente diferente do plano
de ruptura do solo grampeado.

Apresentamos nosso entendimento (reologia) 8 sobre solo grampeado no seu estado de ruptura (FIGURA 5).

• Superfície de ruptura sem grampos
Força atuante = P. sen α
Sendo L o perímetro da superfície de ruptura Força resistente = P. cos α . tg φ + L . c

• Superfície de ruptura com grampos
Força atuante = P. sen α
Força resistente = P. cos α . tg φ + L . (c + ce)

O sistema tende a comportar-se como rígido ou semi-rigido (muro de arrimo de gravidade) até o momento de sua ruptura, quando o grampo passa a ser solicitado conforme as tensões e deformações abaixo descritas.

As deformações do solo nas regiões próximas ao grampo provoca essencialmente dois tipos de esforços reativos:
• Cisalhamento do solo, até atingir o estado plástico, da área compreendida pelo diâmetro do grampo por uma distancia que vai da “superfície” de ruptura até onde começa a deformação elástica do solo.
• Tração da barra, a partir da superfície de ruptura até seus extremos.
Na pratica, (reologia)8 a barra de aço comporta-se de forma flexível.
Ou seja, hipoteticamente, na ruptura teremos algo similar ao descrito na figura 5.

14Conclusões
• O método Yen, na gênese e na prática, calcula o novo parâmetro do solo após a realização do grampeamento, ou seja, a nova coesão do solo;
Os cálculos complementares de estabilidade são feitos de acordo com as conhecidíssimas teorias de Bishop ou Spencer.
No caso presente, a ferramenta de cálculo foi o Estável, Bishop Simplificado.4

• O método Yen pode ser calculado com outras ferramentas, até mesmo ´´ à mão“, sem computadores, como feito até a década de 1970.

• Suas adaptações para as informações provenientes do campo, tais como ensaios de arrancamento de grampo são extremamente simples e podem, na maioria das vezes, serem executados na própria obra.

• Cálculo das tensões no maciço de solo (Estável – Yen) 4 e não nos grampos individualmente (SLIDE, Geoslope, etc.) traduzem uma maior realidade física do sistema.
CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES I
Praticamente nenhum projeto indica o método de cálculo utilizado. Isto dificulta comparações. Entretanto, seria do interesse da Geotecnia que o método de cálculo utilizado em um projeto de muro de arrimo constasse no memorial de cálculo.

CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES II
Solicitamos ao nosso colega Victor Camargo, Autor, junto com Hachich de trabalho intitulado “Comparação de processos de dimensionamento de estruturas em solo grampeado” ³ que complementasse este estudo, incluindo o método Yen. Resumindo os cálculos para o exemplo apresentado neste trabalho, temos:
Método Yen     FS = 1,44
Estável (com método ENPC)    FS = 1,27
SLIDE     FS = 1,26
Ou seja, o Método Yen resultou em FS da ordem de 15% superior aos demais.

Entretanto, se rodarmos o SLIDE 3, aumentando a densidade até se atingir um valor próximo ao Yen (1,44), corresponderia a um aumento de 44% no consumo de grampos.

Ressaltamos:
• O método Yen adota os conceitos de aderência de Decourt5 para solo grampeado o que é inusitado, porém conservador.
• Nossos conceitos eliminam a hipótese de existir uma parcela de atrito associada ao acréscimo de força normal na base da lamela, provocada pela tração no grampo, o que também seria conservador.
• Os cálculos comparativos acima, indicam que o método Yen pode levar a um fator de segurança 15% superior a métodos como o SLIDE, porém com uma economia de 44% na densidade dos grampos.
• A comparação com conceitos tais como muro de gravidade, independente da densidade, indica ser o método Yen conservador.

CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES III
Temos verificado que alguns projetistas e consultores em Geotecnia, efetuam cálculos de estabilidade de muros de arrimo tipo “solo grampeado” supondo não haver transferência de carga ao paramento. É uma hipótese de cálculo a favor da segurança.
Discordamos deste procedimento, até por uma questão semântica ou histórica. Solo grampeado, em nossa opinião, associa-se em sua origem ao conceito do “NATM” onde a solidarizarão grampo/”paramento” seria total e obrigatória.
Entendemos que o cálculo e execução de um muro de arrimo nos quais os grampos não têm interligação estrutural com o paramento deveriam utilizar nomenclatura diferenciada:
• Tirante passivo no lugar de grampo.
• Solo armado no lugar de solo-grampeado.
Um grampo, ou tirante passivo, colocado no pé de um muro de arrimo, ou no local onde os cálculos indicarem passar a linha de ruptura, terá comportamento opostos:
• No solo grampeado, este grampo será solicitado até sua ruptura geotécnica ou estrutural, isto é, solicitação total.
• No solo armado, este tirante passivo, não será solicitado.
Observamos, entretanto, ser possível o cálculo de estabilidade do maciço, pelo método Yen, sem considerar esta interligação estrutural. Nesta hipótese a nova coesão do solo junto ao paramento será igual a nova coesão do solo na ponta do grampo.

CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES IV
O conceito de aumento dos parâmetros do solo (no Yen, somente para coesão) para solo grampeado já havia sido considerada por Hachich no Estável4. O equilíbrio de forças adotado havia sido anteriormente desenvolvido na “L’Escola Nationale de Ponts e Chausses” como descrito por Camargo em 2003.
Discordamos, entretanto, da premissa básica adotada por ambos da “passagem de uma força de arrancamento, paralela à direção do grampo, para…”
O método Yen parte de uma premissa quase que oposta:
“A força de arrancamento não está paralela ao grampo”.
Não temos informações que possibilitem a determinação do ângulo que a força de arrancamento faz com o grampo, entretanto, intuitivamente, estimaríamos este ângulo variando entre 30º e 40º.

CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES V
• Academicamente, ainda não há consenso em se considerar o efeito de cisalhamento no grampo. Este aspecto foi brilhantemente discutido, também sem consenso, entre os colegas W. Hachich e Urbano Alonso num Seminário em SP, alguns anos atrás.
• Nossa interpretação do solo grampeado impossibilita esta hipótese, ou seja, cálculos que considerem o cisalhamento são, a nosso ver, equivocados, como tentamos justificar:
A deformação necessária para um solo atingir seu estado plástico é da ordem de mm a cm. Este número baseia-se no aprendizado proveniente de milhares de ensaios de cisalhamento direto, feitos em laboratório. Lembramos que estado plástico pode ser entendido como ruptura. Esta deformação ocorre praticamente de forma instantânea ( segundos & minutos ) quando comparado com recalques. Lembramos, ainda, que a deformação do aço ( grampo ) para atingir seu estado limite ( escoamento ) é diferente da deformação do grampo ( nata de cimento ) e solo. Todos os aspectos acima estão presentes, de forma solidaria, no momento de ruptura, quando haverá uma interação solo-grampo-paramento definido no NATM.
Ou seja, até o momento de ruptura o maciço se comporta como ´´ solo armado “. Após a ruptura o entorno da superfície de ruptura apresentará parâmetros de solo diferente dos iniciais.
Todas as hipóteses acima foram feitas para podermos concluir que não existe numa coerência física de espaço e tempo, a hipótese de um aumento significativo do esforço à compressão do solo no plano de ruptura do maciço grampeado.

Sabemos que o atrito depende desta força de compressão. Logo, se não existir aumento na força de compressão, não existirá aumento no atrito, além do considerado sem o grampeamento.

Esclarecendo ainda mais, qualquer plano de ruptura do talude que interceptar um grampo, provocará somente tensões de tração neste grampo, a partir deste ponto para suas duas extremidades, não havendo condição para qualquer aumento de tensões de compressão neste plano.
Esta interpretação reológica também permite afirmar que:
• Solo grampeado resulta do aumento de “coesão equivalente” sem aumento significativo do atrito.
• Tirantes ativos resultam do aumento de “atrito equivalente” sem aumento significativo da coesão.

Esta seria a diferença entre Tirantes e Grampos.


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